Seu Navegador não tem suporte a esse JavaScript!
 
Uraí

Agenda de Eventos




Data: 23/03/2018 Hora: 15:43:27
História do Município

Uraí , Japoneses e o Rami
Uma missão comercial japonesa em viagem pela América do Sul, em 1922, conheceu e ficou encantado com as terras roxas do Norte do Paraná. O chefe da missão, Reizo Yamashina, tratou logo de manter contato com o Consulado Japonês no Brasil, visando à compra de uma gleba na área que conhecera. Adquiriu 10 mil alqueires no Vale do Rio Congonhas, para implantar um núcleo de colonização japonesa. Não conseguiu realizar o seu objetivo, pois faleceu seis anos após a compra da área. A Companhia de Terra Sul América, fundada logo depois, fez a concessão da gleba à Companhia Nambei Tochi Kubushiki Kaisha, que deu início a colonização da área.
Manjiro Watanabe, gerente geral da Nambei, chegou à Gleba Pirianito em 1936, trazendo consigo os primeiros trabalhadores para dar início ao desbravamento da área. Com Watanabe, vieram os empregados José dos Reis, Sussumo Assanuma, Iseiji Suzuki, Hikaru Kobayashi, Mário Nishimura e os engenheiros Takao Kawai e Issami Tokano. Esse grupo de trabalhadores, começou a desmatar a gleba e a executar as primeiras obras de infra-estrutura, como acessos e pontes.
O seu desenvolvimento foi rápido e logo na área transformou-se num próspero vilarejo, com intensa ocupação de lotes urbanos e rurais, que eram vendidos por Setsuo Yazaki. O café foi a cultura implantada pelos pioneiros, a qual deu grande impulso ao núcleo que se formava. Mas o rami não demorou a aparecer.

O número de famílias japonesas assentadas na gleba já era grande em 1937, quando a empresa de Fiação e Tecelagem Tókio de Rami S/A comprou uma área de 400 alqueires na localidade para plantar Rami. Dezenas de famílias fundaram a Seção Pirianito. O nome da gleba, aliás tem uma história curiosa : um defeito na máquina de escrever do cartório onde ela foi registrada acabou por alterar a denominação pretendida pelos adquirentes. Originalmente, a área deveria ser denominada Gleba Piriquito, em razão do grande número de aves dessa espécie existente na região. Ocorre que as teclas Q e U da máquina de escrever do cartório estavam quebradas, dando origem ao nome Pirianito na escritura do lote.
Pirianito em 1940
A Seção Pirianito deu origem à sede urbana do Município de Uraí, cujo nome surgiu entre 1943 e 1944. Existem duas versões para a origem do nome: a primeira teria derivado da planta curare, da qual os índios retiravam a seiva para envenenar a ponta das flechas; a segunda é uma derivação da palavra Ura-hi, que significava sol poente em japonês, dada pelos pioneiros da localidade.
Sol Nascente e Sol Poente, Assaí e Uraí são pedacinhos do Japão encravados em terras paranaenses. Ambas cidades foram inteiramente colonizadas por imigrantes japoneses, que fincaram raízes, produziram, construíram e procriaram transformando Uraí na Capital do Rami.
Em 1947, a cidade já tinha um porte respeitável e foi transformada em município e desmembrada de Assaí. No dia 4 de Novembro deu-se a instalação solene do novo município.
O processo de aculturação do imigrante japonês no Brasil encontrou fortes barreiras no princípio, principalmente pelo caráter temporário de sua permanência no país, pois os primeiros imigrantes nipônicos vieram para ganhar dinheiro e retornar ao Japão. A derrota e a destruição do Japão na Segunda Guerra Mundial, não ofereceu condições para recebê-los de volta e foi decisiva para que os imigrantes fossem aos poucos assimilando as coisas do Brasil, já com o intuito de aqui permanecerem.

A II Guerra Mundial foi determinante na história de Uraí. Em 1983, o pioneiro Iseiji Suzuki, em entrevista ao Jornal Folha de Londrina, falou sobre os planos para a instalação de uma grande indústria de fiação e tecelagem de rami, logo no início da colonização, que acabaram frustrados em virtude da eclosão da II guerra. O pioneiro lembrou também que o primeiro comerciante a se estabelecer em Uraí foi Mukai, em 1938. Iseiji casou em 1939 e trouxe a família para Uraí e, em 1940 nasceu a filha Katsuko, a primeira nissei de Uraí.
Japoneses em Uraí e a Educação
Anos depois chegava o médico João Ribeiro Júnior, o primeiro prefeito de Uraí e no ano de 1947, a Secretaria de Estado da Educação autorizou a construção de sete escolas rurais dentro do município de Uraí, uma delas na Seção São Paulo.
Não se pode ignorar, entretanto, que aos mais velhos foi necessário um enorme esforço, principalmente no tocante ao aprendizado da língua portuguesa, em razão das dificuldades que encontrava para adaptar-se à nova cultura e ao idioma da terra, o imigrante japonês chegou a ser considerado inassimilável.
A responsável pela quebra desse preconceito foi Emília Ramos de Oliveira. O Prefeito Dr. João Ribeiro Jr descobriu que Emília sabia ler, por ter conhecimento que a parte interna do lápis, chamava-se grafite. Inicia sua carreira de professora ao acaso, mas na realidade, para Deus não existe o acaso. Lá em cima seu caminho já estava traçado, seria uma Professora! Mestra em ensinar! Não só as letras e os números , mas ensinar o amor, a Deus e ao próximo, ensinar a todos com seu exemplo de vida e dedicação à sua profissão.
Em uma justa homenagem realizada pela Câmara dos Vereadores, no final de 2010 Emília Ramos falou desse início e da dificuldade, principalmente quanto a diferença da língua portuguesa e da japonesa, mas ela foi responsável pela educação dessas crianças japonesas e soube com sua vocação despertar a vocação de muitos, tornando possível os sonhos do mundo.

Emília Ramos de Oliveira e Vereadores de Uraí ( 2010)
Em uma frase do seu livro "Vida Minha" afirma : " É preciso muito mais coragem para ser uma pessoa simples do que ser um herói".
Autora dos livros : Uraí, nossa Terra e nossa gente, vol 1 e 2, Emília Ramos de Oliveira, escreveu a história de Uraí, convivendo com a maioria desses pioneiros, descrevendo suas vidas, personagem vivo da história dos pioneiros de Uraí.
Conclusão
Este trabalho é apenas um recorte da vida desses imigrantes em nosso país, relata apenas o início, os pioneiros que construíram Uraí, ainda há muito a ser pesquisado e estudado. Foi realizado um vídeo, postado no youtube "Os Japoneses, brasileiros, paranaenses de Uraí", disponível no link:

 

 19 de Junho de 2011.

Segundo o sociólogo Hiroshi Saito, da Universidade de São Paulo ( OGUIDO, 1988:7) não houve imigrante que abandonou mais os seus costumes que o japonês. O imigrante japonês foi obrigado a morar em casas sem tatame, abandonou o quimono, substituiu a tigela pelo prato, trocou o hashi pelo garfo e passou a beber café em vez de chá. Enfim teve que aprender a falar um idioma que lhe era completamente incompreensível.
E mesmo marcado pelo estigma de povo assimilável, o japonês encontrou na terra do Sol Poente a vitória , lutaram contra as adversidades e venceram, afinal, são:
Japoneses, Brasileiros, Paranaenses de Uraí !

 

 
Arquivos para Download abaixo
urai.pdf

Enviar esta notícia para um amigo

Reportar erro